sábado, 20 de maio de 2017

COISAS DE SANTA MARIA - James Pizarro

Em 1983, a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) era uma subsecretaria colocada dentro do Ministério do Interior, cujo ativo titular era o Dr. Paulo Nogueira Neto. Por determinação da SEMA, em maio de 1983 foi decretado que todas as prefeituras brasileiras deveriam comemorar, de 1 a 7 de junho, a "Semana Nacional do Meio Ambiente". Em Santa Maria, fui convidado pelo prefeito Dr. José Haydar Farret para coordenar, planejar e fazer realizar este evento. Resolvi aceitar o desafio uma vez que os ecologistas eram acusados de apenas criticar e jamais executar algo prático. Passei cerca de 20 dias arregimentando forças.

Meus alunos da disciplina de Ecologia dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas e Engenharia Florestal ministraram dezenas de palestras nas escolas municipais e, junto com os escoteiros da Tropa Henrique Dias, plantaram dezenas de mudas de árvores ao longo do Parque Itaimbé, muitas delas transformadas hoje (34 anos depois) em frondosas árvores.

Todas as palestras foram gravadas pela Rádio Universidade com a colaboração de  Roberto Montagner, então diretor da emissora da UFSM, também responsável pela sonorização do Centro de Atividades Múltiplas durante sete noites consecutivas. Também colaboraram : Pedro Freire Junior (Rádio Imembui), padre Potrilho e Hugo Fontana (Rádio Medianeira), José Luiz (Rádio Santa-mariense), Paulinho Ceccin (FM Cultura), Jorge André (FM Atlântida), Ademar Ribeiro, Carlos Eduardo Pavani, Verinha Pinheiro e Sérgio Assis Brasil (todos pela TV Imembuí), professoras Romy Scalcon e Ceura Fernandes (pela Delegacia de Educação) e as direções de todas as escolas da cidade. As palestras também receberam cobertura das sucursais dos jornais de Porto Alegre, pois a programação teve repercussão estadual.

Durante as sete noites de palestras, cerca de 1500 pessoas lotaram completamente as dependências do Centro de Atividades Múltiplas, o popular "Bom-Bril". Houve necessidade de que a Rádio Universidade instalasse caixas de som do lado externo do prédio para que cerca de 500 pessoas pudessem ouvir as palestrantes. O impressionante era o silêncio e a disciplina de todos. O programa contou com palestrantes : prof. James Pizarro, prof. José Salles Mariano da Rocha, prof. Gustavo Quesada, prof. Horst Oscar Lippold, prof. Arnaldo Walty, prof. Amaury Silva  e o encerramento foi uma mesa redonda com os professores João Radünz Neto, Brandão, Ilka Bossemeyer e Paulo Ary Moreira sobre Piscicultura.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram as palestras ganharam certificado de participação fornecido pela direção do SENAC. Registre-se também que a entrada durante toda a semana foi inteiramente grátis. Registro para a memória da cidade esta iniciativa, de intensa repercussão cultural, técnica, científica e popular. Lamento que, passados 34 anos, a comemoração da "Semana Nacional do Meio Ambiente" ficou apenas na primeira edição.Por razões que desconheço a semana nunca mais se realizou.

Coisas de Santa Maria...


domingo, 14 de maio de 2017

DIA DAS MÃES SEM MÃE



Tenho 75 anos. Pensei que já tinha passado por tudo.
Mas me dou conta que minha mãe morreu há cinco meses.
E que este é meu primeiro "Dia das Mães Sem Mãe".
Por isso, lhes digo : aproveitem a sua.
Elas duram pouco.
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domingo, 7 de maio de 2017

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Um surdo e uma surda se casaram. Durante a primeira semana, eles descobriram que eram incapazes de se comunicar na cama quando a luz estivesse apagada, pois não podiam enxergar a linguagem dos sinais.
Depois de várias noites pensando em alguma solução, a esposa disse, gesticulando:
- Querido, por que não fazemos alguns sinais simples? Por exemplo, à noite, se você quiser fazer sexo comigo, pegue no meu seio esquerdo uma vez. Se não quiser fazer sexo, pegue no meu seio direito uma vez.
O marido acha uma grande idéia e gesticula de volta para a esposa:
- Ótima idéia! E se você quiser fazer sexo comigo, balance meu pinto uma vez. Se não quiser, balance meu pinto 250 vezes, BEM RÁPIDO !!!!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

ZUMBIS PATOLÓGICOS - James PIZARRO.

Nos jogos de futebol que tenho visto pela televisão reparei num fenômeno que já havia notado em outros ambientes (bares, restaurantes, cafeterias, rua, bancos, etc...). Quando a câmera da TV foca a torcida noto dezenas de torcedores, absortos, clicando seus celulares e "bolinando" seus tablets, sem ao menos levantar a cabeça para ver o que se passa no campo. Pode haver algo mais patológico do que isso ? Do jeito que a coisa vai vamos chegar à mudez total, amizades vão ficar estremecidas, estabelecimentos comerciais vão perdes clientes, namoros e casamentos vão entrar pelo cano. Sem falar nas pessoas que tropeçam em mim no calçadão e na Feira do Livro com os olhos mergulhados no celular. É uma geração de abobados eletrônicos. Verdadeiros zumbis. Eu acho que futuramente, por desuso da língua, ficarão mudos...

segunda-feira, 27 de março de 2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A PRIMEIRA AULA - James Pizarro ( Jornal A RAZÃO,edição de 23.02.2017)


Sou do tempo em que o então chamado Grupo Escolar João Belém funcionava no prédio onde hoje está o MANECO, em Santa Maria, RS. E ali fui matriculado -com 6 anos de idade - no Jardim da Infância (pois não se cogitava falar em maternal, pré-maternal, etc...). 
Assim é que, nos primeiros dias do mês de março de 1948, comecei a estudar. Agarrado à mão de minha mãe, fui levado e entregue na penúltima porta do corredor do primeiro andar à mestra Luiza Leitão, uma professora negra, de cabelos brancos, que foi minha primeira professora e da qual guardo enternecedora lembrança. Ela me recebeu carinhosamente. O que fez dissipar-se do meu assustado espírito qualquer resquício de medo. Muito embora eu tenha sentido um inesquecível aperto no peito quando vi minha mãe me abanar e desaparecer pelo corredor.
É incrível, mas lembro detalhadamente desse primeiro dia de aula ! Sentei-me numa mesinha, junto com duas meninas e um menino, de nome Cleómenes, que estava de gravata e usava óculos. Inexplicavelmente, não guardei o nome das duas meninas, que eram simpáticas e puxavam conversa. A professora Luiza Leitão bateu palmas, pediu silêncio. E colocou no aparelho de som (que era chamado de "vitrola") um enorme disco de vinil. Daquele disco, como num passe de mágica, brotou a emocionante novela intitulada "As Aventuras do Coelhinho Joca", a primeira história infantil gravada que ouvi em minha vida. Eu gostei tanto que, meses depois, quando ganhei meu primeiro cachorro de presente, um fox preto e branco, tratei de batisá-lo de "Joca"...
Corria o ano de 1948, ano em que o Botafogo foi campeão carioca. O time alvinegro entrava em campo com sua mascote "Biriba", uma cadela também fox preta e branca...
A diretora do Grupo Escolar João Belém se chamava Edy Maia Bertóia, casada com um senhor careca, funcionário da Cooperativa dos Ferroviários. Moravam à rua Silva Jardim, quase na esquina com a Comissário Justo. A Dona Edy era mãe do Dr. Ararê Bertóia, médico em Santa Maria e de Soila Bertóia, residente em São Paulo. Parece mentira...a Dona Edy ficou minha grande amiga por mais de 45 anos ! E hoje, falecida, virou nome de escola municipal, numa justa homenagem.
Num relance, passaram-se 66 anos desde a minha primeira aula, pois estou hoje com 72 anos. Lembro detalhadamente de tudo. Desde a disposição dos móveis na sala. Dos quadros. Dos rostos. Dos sons. Do sino batendo para o meu primeiro recreio. Da primeira merenda. À noite, custei muito a dormir. Pois recapitulava mentalmente tudo o que me havia acontecido naquele dia memorável.
A professora Luiza Leitão, e depois a professora Léa Balthar, foram as duas responsáveis pela minha alfabetização.
A outra diretora do João Belém, que substituiu a professora Edy Maia Bertóia, foi a Professora Heleda Diquel Siqueira. Que também foi minha professora de Trabalhos Manuais. Dona Heleda era exímia jogadora de bolão. Viajava muito pelo RS disputando campeonatos femininos de bolão. Faleceu recentemente.
Nas datas importantes - principalmente nas datas cívicas - aconteciam no João Belém as chamadas "audições". O que era isso ? Todo o corpo docente e discente era reunido no salão de festas da escola. E havia apresentação de números artísticos : danças, corais, declamação de poesias, números musicais, mágicas, bandas, etc... Tudo isso era precedido pela fala do locutor. Que lia uma sinopse do número que ía ser apresentado.
Devido ao desembaraço, desenvoltura ou "cara-de-pau" - seja lá que nome tenha isso - sempre fui escolhido para ser o locutor das "audições". O que me conferia um certo "status" com os professores. Simpatia com as meninas. E ciume dos colegas.
Dou-me conta, agora, do óbvio...a influência que tais experiências da meninice podem ter na formação da nossa personalidade. E até nas nossas escolhas profissionais de adulto. 
Por isso, serei eternamente grato às minhas professoras e ao meu colégio.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DO CALÇADÃO - James Pizarro (Jornal A RAZÃO - edição de 16/02/2017)

HISTÓRIAS DO CALÇADÃO

James Pizarro  -  professor

HISTÓRIA UM - Dia desses estava eu na cafeteria lendo um jornal. E sem querer ouvi parte da conversa de um cidadão. Ele estava se queixando da vida:

"- Tou velho, não tenho mulher nem filhos...a solidão é fogo ! "

Mas antes de dizer isso eu ouvi ele falar, em tom de orgulho,que tinha namorado dezenas de mulheres...tinha ficado noivo não sei quantas vezes...se juntado com não sei quantas. Estava visivelmente deprimido. Ele contava ao amigo que - pela primeira vez - ao tentar se aproximar duma jovem de 20 anos, a guria lascou na cara dele :

"- Ah, tio...vai procurar a tua turma...quem gosta de velho é reumatismo."

O amigo, num rasgo de sabedoria popular disse a ele :

"- Estás colhendo o que semeaste...pedra que muito rola não cria limo..."

Paguei meu cafezinho. E sai da cafeteria calmamente. Feliz por ter endereço para voltar. E por ter a companhia de uma grande mulher.

HISTÓRIA DOIS - Funcionária exemplar. Dedicada à velha mãe. Adepta do Apostolado da Oração. Vivia para o trabalho. A igreja. E para cuidar da mãe idosa e doente. De repente, a vida iluminou-se. Encontrou um namorado. Sério. Educado. Gentil. Homem que revolucionou sua vida. Que a fez mudar de estilo de roupas. Visão de mundo. Prazer em viver. Belo dia, instalou-se nela a depressão. Melancolia extrema. Silêncio. A colega mais curiosa perguntou-lhe se o namorado tinha falado em casamento. Ela respondeu :

- Sim.

E completou :

- Falou que era ...casado !!!

HISTÓRIA TRÊS - Semana passada assinei um documento no cartório. A moça, desconfiada,  me fez assinar de novo porque disse que minha assinatura  está mudando, está diferente. Durante quase meio século usei apenas giz no quadro, máquina de escrever e computador. Eu me dei conta que não uso mais a caligrafia, a letra cursiva, as provas em papel almaço ou papel ofício, os bilhetes de amor. Tudo ficou automatizado.

Como serão as bibliotecas do futuro ? E se um dia todos os computadores do mundo forem atacados por um vírus xiita e apagar rigorosamente TUDO que está arquivado.  Como meus bisnetos aprenderão a escrever ?